Casa do Futuro
Tecnologia e sustentabilidade na construção civil

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Sustentabilidade03/12/2015

Museu do Amanhã – MDA

Museu do Amanhã

MUSEU DO AMANHÃ TEM CONSULTORIA DE SUSTENTABILIDADE DA CASA DO FUTURO

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O trabalho da Casa do Futuro no Museu do Amanhã remonta às fases iniciais do projeto, em 2010, e se estendeu ao longo de toda a obra. “Um dos grandes desafios foi a integração de uma equipe multidisciplinar com objetivos ousados e metas inéditas na cidade, em termos de sustentabilidade e tecnologia na área de construção. Isso tudo aliado a um projeto ímpar, elaborado por um dos arquitetos mais renomados do mundo, o espanhol Santiago Calatrava”, diz Rosana Corrêa, arquiteta e diretora-sócia da empresa.

 

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Segundo ela, por se tratar de uma construção preparada com o objetivo de obter a certificação LEED – nível ouro, o Museu apresenta um conjunto de características de sustentabilidade. Dois diferenciais da obra merecem destaque: a tecnologia empregada na captação da energia solar, por meio de painéis fotovoltaicos instalados na cobertura metálica do prédio, que se movem de acordo com a trajetória do sol; e o uso das águas da Baía de Guanabara como trocador de calor no sistema de ar condicionado. Estima-se que por ano sejam economizados 9,6 milhões de litros de água e 2.400 mega watt/hora (MWh) de energia elétrica, o que seria suficiente para energizar quase 600 residências.

 

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A CASA DO FUTURO E O MUSEU DO AMANHÃ

Em um museu onde se busca entender as possibilidades de futuro, a questão ambiental torna-se protagonista. O Museu do Amanhã, desde suas fases iniciais de projeto, tem a sustentabilidade como uma de suas prioridades. A consultoria da Casa do Futuro acompanha o desenvolvimento do projeto desde 2010 e termina agora seu trabalho com a entrega de uma obra que, com toda certeza, teve seus impactos ambientais significativamente reduzidos.

Durante a fase de projetos, podemos destacar a forma criativa e colaborativa de toda a equipe de trabalho começando com o arquiteto Santiago Calatrava e seguindo com a coordenação da Fundação Roberto Marinho e o gerenciamento do escritório de Ruy Resende –, que sempre se mostrou muito receptiva ao emprego de soluções sustentáveis, desafiadoras e inovadoras.

Podemos ter orgulho deste equipamento que, em relação às questões ambientais, merece parabéns. Foram tratadas questões relacionadas ao transporte; gerenciamento das águas (enchentes); tratamento e colaboração com a limpeza das águas da Baía de Guanabara; utilização de materiais ambientalmente amigáveis e renováveis; gestão energética extremamente eficiente; redução do consumo de água; entre outras.

Sobre a redução e correta destinação de resíduos (reciclagem), podemos destacar o reaproveitamento de sobras das estacas das fundações para a construção dos barracões da obra. Foram poupadas toneladas de aço com esta ação.

Na área energética, além das placas fotovoltaicas da cobertura, que se movimentam em busca do sol, podemos destacar o aproveitamento do “frio” das águas da Baía de Guanabara, o que nos traz uma economia de aproximadamente 25 mil litros de água por dia! O resultado é que o museu economiza até 50% de energia se comparado a construções convencionais.

Na área das águas, o grande diferencial é o sistema que “libera” para as águas da Baía de Guanabara, o calor retirado dos ambientes. O nome técnico do recurso é hidrotermia, e já é utilizado em diversos projetos pelo mundo, mas é novo para o Brasil. As águas são retiradas da Baía, recebem o calor do sistema de ar condicionado e são devolvidas novamente ao mar. Todo este processo acontece de maneira a não agredir o meio ambiente. Para respeitar limitações de variação da temperatura das águas, uma nova mistura acontece para resfriar a água antes esta que volte para a Baía no lado nordeste do píer. A utilização da hidrotermia faz com que o museu não precise de torres de arrefecimento no sistema de climatização. Isso quer dizer que são economizados até 4 mil litros de água por hora!

Além disso, as águas das pias, lavatórios, chuveiros e chuvas são tratadas e reutilizadas, assim como aquelas provenientes da desumidificação do ar (o pinga-pinga do ar condicionado). Esta desumidificação pode render 4 mil litros de água ao dia.

A complexidade das formas arquitetônicas e a alta tecnologia empregada no edifício não criaram barreiras à sustentabilidade – ao contrário, tornaram-se aliadas. A movimentação da cobertura permite maximizar a eficiência da produção energética nos painéis solares, além de produzir mais sombras e reduzir seu aquecimento. Foi difícil conseguir fazer com que a modelagem energética computacional “entendesse” tamanha inteligência e eficiência, mas nós adoramos este desafio!

Deveríamos poder encontrar mais projetos “desafiadores” como este. O Brasil tem profissionais capacitados para resolver questões técnicas de alta complexidade. As equipes de projeto do Museu do Amanhã são todas locais, com raras exceções. E este é um motivo de orgulho para nós.

Outro desafio foi encontrar espaço para tantas áreas técnicas, necessárias para que todos estes recursos funcionassem, mas acabou sendo tudo resolvido no subsolo do museu. Um lugar não menos fascinante do que as áreas de exposição! Pelo menos na opinião daqueles que apreciam a arquitetura e engenharia.

Não temos como descrever todos os itens e soluções trabalhadas. O trabalho foi extremamente longo e minucioso. Na área da sustentabilidade ambiental, tudo foi levantado e o que foi possível realizar foi feito.

Podemos afirmar que, em relação ao seu papel junto ao planeta, o museu já pode ser premiado. Agora, o trabalho terá continuidade na operação. Já estamos trabalhando para que tudo funcione bem após a inauguração desta obra, que certamente marcará um momento muito importante vivido pela cidade do Rio de Janeiro.

Agradecemos a oportunidade de fazer parte deste trabalho e estamos muito felizes com os resultados.

O projeto é iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro e da Fundação Roberto Marinho, tem o Banco Santander como Patrocinador Máster, a BG Brasil como mantenedora e o apoio do Governo do Estado, por meio de sua Secretaria do Ambiente, e do Governo Federal, por intermédio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).A construção do Museu está incluída no conjunto de obras da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro realizadas pelo Consórcio Porto Novo, através da maior Parceria Público-Privada (PPP) do país.

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DE SUSTENTABILIDADE ADOTADAS NO MUSEU DO AMANHÃ

Impactos locais e transporte:

Nesta categoria, buscamos reduzir os impactos que o museu traz para a sua área de implantação, seu entorno. Foram tratados itens como:

* o efeito “ilha de calor”: redução do aquecimento que o museu causa em seu microclima;

* transportes: incentivo à redução do uso de veículos, utilização de veículos não poluentes, uso de transporte público e de bicicletas;

* enchentes: foram adotados recursos para que o museu contribua positivamente para a redução do problema das enchentes na região;

* redução da poluição luminosa;

* promoção da biodiversidade nos espaços revegetados: utilização de vegetação nativa, adequada ao local e que promova a recuperação da biodiversidade.

O Museu do Amanhã está localizado em uma área altamente urbanizada, que oferece escolhas inteligentes de transporte. Moradores e visitantes da região terão mais oportunidades de evitar o uso de carro particular e, assim, de contribuir para a redução de emissões de gás carbônico na atmosfera.

No perímetro do museu, poderão ser utilizados ônibus (Zona Sul, Zona Norte, Zona Oeste e Baixada Fluminense estão nos itinerários de dezenas de linhas urbanas e intermunicipais que integram a rede rodoviária da Praça Mauá); bicicletas (a ciclovia da cidade estará integrada com a ciclovia do museu, o que permitirá aos visitantes e funcionários um acesso fácil e seguro até o edifício); e VLT (o Veículo Leve sobre Trilhos integrará o Centro da cidade e terá uma estação na Praça Mauá).

Uso racional da água:

O Museu do Amanhã tem, como um de seus princípios, o uso inteligente da água, interna e externamente. A economia de água é obtida por meio de equipamentos, instalações e acessórios instalados no interior da edificação, além de paisagismo consciente no exterior. Acrescente-se a isso que as águas pluviais precipitadas na cobertura são captadas para serem reutilizadas para fins não potáveis dentro do museu. As águas cinzas provenientes dos chuveiros e lavatórios seguem para a estação de tratamento localizada no subsolo e serão reutilizadas no paisagismo e na lavagem de pisos. Os resultados são ainda maximizados devido ao sistema de troca de calor com a Baía. Somente com esta ação, são economizados até 4 mil litros de água por hora!

Energia:

Uma diversidade de estratégias de eficiência energética foi utilizada no Museu do Amanhã. Uma das mais importantes será o uso da energia solar como fonte de energia alternativa e renovável. Na cobertura do museu serão instaladas lamelas móveis que acompanharão o movimento do sol e captarão a energia solar para que esta, convertida em energia elétrica, possa ser utilizada instantaneamente dentro do museu. A produção de energia a partir das células fotovoltaicas suprirá até 9% de toda a energia necessária para a operação do museu.

O sistema de ar condicionado altamente eficiente projetado para o Museu do Amanhã economizará energia durante seu funcionamento, devido à utilização das águas da Baía de Guanabara como fonte de rejeição de calor. Essa característica proporciona a eliminação de equipamentos que exerceriam esta função e agrega benefícios econômicos e ambientais, como a redução do consumo de energia e a eliminação do uso de água potável em torres de resfriamento.

Materiais:

O Museu do Amanhã reduziu significativamente o impacto causado no meio ambiente dos recursos utilizados em sua construção. Em sua cadeia de suprimentos, foram utilizados materiais reciclados e produtos extraídos, manufaturados e transportados de forma sustentável. Os materiais reciclados, por exemplo, reduzem o uso de matéria-prima virgem e o volume de resíduos sólidos gerados. Os materiais regionais minimizam a emissão de poluentes na atmosfera, pois são adquiridos de regiões próximas à obra. Já a certificação FSC (Forest Stewardship Council) da madeira utilizada no museu garante o manejo florestal responsável, promovendo uma mudança positiva e duradoura nas florestas e nos povos que nela habitam.

Ambiente Interno:

Ao tratar de sustentabilidade, tratamos também das pessoas, da nossa qualidade de vida. Ambientes mais saudáveis, limpos e agradáveis contam com uma boa ventilação, temperatura adequada, iluminação natural e vistas livres sempre que possível. Também fez parte de nossa preocupação a toxidade dos materiais da obra. Uma vez instalados nos ambientes, alguns materiais podem emitir toxinas durantes muitos meses, prejudicando a saúde dos ocupantes. Os materiais empregados respeitam limites seguros de toxinas. Um plano de limpeza “verde” foi elaborado para que, após sua inauguração, sejam utilizados produtos atóxicos e biodegradáveis.

A Casa do Futuro é membro do USGBC (Green Building Council Norte Americano), organização que gerencia os processos de concessão do Selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design ou Liderança em Energia e Projeto Ambiental) para projetos novos ou construções existentes; e do GBC Brasil, uma ramificação da organização norte americana responsável por adaptar as regras do processo de certificação LEED às realidades brasileiras.

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